A seleção da República Tcheca, ex-Checoslováquia, é presença assídua em fases finais da Eurocopa, tendo participado em todas as edições da prova desde 1996, ano em que alcançou a melhor prestação da sua história enquanto nação independente ao chegar na final da prova. Daí para cá, o melhor que conseguiu foi chegar nas semis em 2004, edição que decorreu em Portugal. Falar na equipe tcheca é recordar de imediato grandes nomes, desde Poborsky, Berger e Nedved que brilharam na Eurocopa da Inglaterra, em 1996, a Petr Cech, Tomas Rosicky ou Milan Baros (artilheiro da competição) volvidos oito anos. Desde os êxitos de 1996 e 2004, o melhor que a seleção tcheca conseguiu foi chegar nas quartas em 2012, na Eurocopa organizada conjuntamente por Polônia e Ucrânia. Em 2016, na França, não foi além da fase de grupos e se despediu da competição sem qualquer triunfo conquistado, pretendendo agora fazer melhor nessa edição de 2020 da prova de seleções mais importante do continente.

A classificação para essa Eurocopa 2020 correu bem as checos que corresponderam à expetativa e conseguiram se superiorizar a Kosovo, Bulgária e Montenegro na respetiva chave, seguindo para a fase seguinte no segundo posto, junto com a líder Inglaterra. Contas feitas, a República Tcheca terminou as eliminatórias com 15 pontos, resultado de cinco vitórias e três derrotas, um total de 13 gols marcados e 11 sofridos. Um desses cinco triunfos aconteceu no duelo com a Inglaterra (2-1), impondo assim aquele que seria o único desaire em toda a etapa de classificação aos “Three Lions”.

Foto: “Petr David Josek”

Já com a classificação para a Eurocopa assegurada, em setembro de 2020, a equipe tcheca sofreu os nefastos efeitos da COVID-19. Depois de terem vencido a Eslováquia por três a um no dia 4 de setembro em encontro válido pela Liga das Nações, um surto de COVID-19 afastou todo o time do embate seguinte, frente à Escócia. Jogadores e staff ficaram e quarentena e, por forma a poder cumprir e defrontar a seleção da Escócia, a equipe tcheca se viu obrigada a chamar… 21 estreantes na seleção, bem como a promover o retorno de Roman Hubnik, à data com 36 anos e retirado da seleção há quatro. Jaroslav Silhavy, selecionador, também foi colocado em quarentena e para o seu lugar foi recrutado David Holoubek, selecionador do time sub-18. Os tchecos perderam esse encontro com a Escócia mas não deixaram de vencer o grupo 2 da zona B da Liga das Nações da UEFA, ascendendo assim à zona A da competição.

Já nesse ano de 2021, esta equipe disputou cinco encontros. Na classificação para a Copa do Mundo de 2022, começou por golear na Estónia por seis a dois. No encontro seguinte, recebeu e empatou com a Bélgica a um gol, mas perdeu o desafio seguinte no País de Gales por um a zero. Vale lembrar que a República Tcheca não marcou presença na última edição da Copa do Mundo, em 2018, na Rússia. A caminho dessa Eurocopa, o primeiro encontro de preparação culminou com um desaire por quatro a zero com a Itália, ao passo que no segundo encontro, bateu a Albânia por três a uma. Agora, a Chéquia quer contrariar as probabilidades das Casas de Apostas e avançar para as oitavas da competição.

Jaroslav Silhavy, selecionador tcheco

Treinador adjunto dessa seleção tcheca no início da sua carreira de técnico, Jaroslav Silhavy ficou melhor conhecido por seu percurso ao serviço do Slovan Liberec, clube ao serviço do qual se sagrou campeão em 2011/12. Permaneceria mais duas temporadas no clube, antes de rumar ao FK Jablonec. Contratado pelo Slavia Praga, um dos maiores emblemas do futebol checo, Jaroslan Silhavy guiou o time à conquista do título em 2016/17, mas acabou sendo despedido por conta dos mais resultados e foi então que surgiu a hipótese de guiar a equipe nacional, isso depois de a República Tcheca ter falhado o acesso à Copa do Mundo 2018. Para já, a avaliação do trabalho do selecionador natural de Plzen tem que ser necessariamente positiva, dado que apurou a nação para a fase final dessa Eurocopa e também conseguiu a subida à zona A da Liga das Nações. O apuramento foi alcançado de forma relativamente tranquila, mas o primeiro grande desafio de Silhavy à frente da seleção corresponde à participação nessa fase final da Eurocopa 2020.

A força do coletivo tcheco

Jaroslav Silhavy montou um time que vale essencialmente por seu coletivo. Entrosada, organizada e compacta atrás, a equipe tcheca poderá causar dificuldades às suas adversárias na chave, espreitando a possibilidade de se apurar como uma das terceiras melhores colocadas.

A tendência é para que vejamos essa equipe da República Tcheca escalonada em um sistema próximo de um 1x4x2x3x1. Vaclik, guardião que dá garantias, deverá ser o titular, com Coufal, Kalas, Kaderabek e Mateju como quarteto mais recuado. É no meio que reside uma das suas principais virtudes: Soucek, jogador que rubricou uma ótima campanha no West Ham junto de seu compatriota Coufal e que deverá formar um duplo pivot defensivo com Kral, permitindo a Darida, um dos mais experientes e capitão dessa seleção, pisar terrenos mais avançados no apoio ao ataque. Lukas Masopust deverá ser o titular pela direita, com Jankto do lado oposto no apoio a Patrik Schick, avançado que é uma das referências do time e promete dar muitas dores de cabeça às zagas contrárias por conta da sua imponência física e capacidade no jogo aéreo. Em termos estruturais, a República Tcheca não deverá fugir muito a esse sistema.

Comparativamente ao que aconteceu há cinco atrás na Eurocopa da França, muito mudou na equipe tcheca. Em relação ao time que se apresentou em 2016, Kaderabek (em funções diferentes) e Darida deverão ser mesmo os únicos jogadores a permanecerem no onze inicial desse time tcheco. Jogadores como Petr Cech, Plasil ou Sivok, titulares no último encontro que a República Tcheca disputou na Eurocopa 2016, até já colocaram um ponto final em suas carreiras futebolísticas.

República Tcheca na Eurocopa 2020

A chave da República Tcheca nessa Eurocopa 2020 não é nada acessível. Apesar da vitória frente à Inglaterra nas eliminatórias de apuramento, está claro que os “Three Lions” são favoritos ao triunfo no duelo com os tchecos bem com à vitória final nesse Grupo D. A segunda principal força da chave é a Croácia que mesmo sem o nível exibido em 2018 deverá ter capacidade suficiente para garantir uma vaga nas oitavas. Ainda assim, acreditamos que os tchecos têm capacidade suficiente para dar trabalho aos “Vatreni” e, por que não, retirar pontos. Por fim, a Escócia. Bem menos experiente que a República Tcheca em fases finais de grandes competições em um passado recente mas igualmente ambiciosos. Tudo nos leva a crer que essas duas nações se debatam pela classificação como uma das melhores terceiras colocadas e o duelo entre si pode vir a se revelar uma autêntica final.

Recordes da República Tcheca na Eurocopa

A Chéquia nunca falhou a fase final de uma Eurocopa desde que se tornou nação independente, em um ciclo que se iniciou em 1996, ano em que discutiu a final com a Alemanha. Assim, se prepara para a 7ª participação em uma fase final de uma Eurocopa.

Petr Cech é o tcheco com mais internacionalizações pela seleção, em um total de 124. O guardião que é uma referência do futebol da sua nação participou de um total de quatro edições da Eurocopa e uma Copa do Mundo. Em 2004, Milan Baros foi o artilheiro da Eurocopa com cinco gols apontados na competição que decorreu em Portugal.

Boas apostas!