Em um mundo no qual jogadores e treinadores costumam ser os principais protagonistas, Ramón Rodríguez Verdejo, mais conhecido por Monchi, ajudou a mediatizar a função de diretor desportivo. Um dos principais responsáveis pela formação dos bons elencos do Sevilha se prepara para deixar o clube andaluz e abraçar um novo projeto, isso ao fim de quase 30 anos de ligação.

Foto: “Sport”
Emblema que detém o maior número de troféus da Liga Europa/Taça UEFA, o Sevilha é um verdadeiro caso de sucesso no que à sua política de contratações diz respeito. Investindo cada milhão de forma criteriosa e seletiva, o emblema do sul de Espanha tem reunido elencos bem competitivos, capazes de grandes feitos em Espanha e nas competições europeias. Monchi, director desportivo, é o principal rosto do sucesso sevilhano. Durante sua estadia no clube, o Sevilha conquistou cinco edições da Liga Europa/Taça UEFA, uma Copa do Rei, uma Supercopa da Espanha, uma Supercopa europeia e ainda uma Liga Adelante. Na base desse sucesso esteve o trabalho de todo um departamento de prospecção com Monchi à cabeça, capaz de recrutar bons valores que contribuíram para o sucesso desportivo do time nos gramados e ainda renderam vários milhões aos cofres do clube. Para se perceber a preponderância da sua figura no Sánchez Pizjuán, no início da temporada, a diretoria do clube terá rejeitado uma proposta de cinco milhões de euros do Real Madrid para a liberação do homem que dedicou toda sua carreira ao Sevilha, tanto no papel de jogador como de diretor desportivo. Agora, Monchi se prepara para assumir um novo desafio.
Uma vida de dedicação ao Sevilha
17 anos passaram desde que Monchi pendurou as luvas de goleiro e se sentou à secretária, contribuindo desde então para a importância acrescida da sua função no panorama futebolístico. Esta quinta-feira, dia 30 de março, a saída foi oficializada. O conselho geral dos andaluzes esteve reunido quase três horas até aceder às pretensões de Monchi. A oficialização foi feita esta sexta-feira, em coletiva de imprensa. O director desportivo esteve em diferentes situações com o Sevilha, começando a desempenhar a atual função em uma altura em que o clube atuava no segundo escalão e o orçamento era bem reduzido. Daí à glória europeia, foi mais de uma década, repleta de jogadores contratados com o “dedo” de Monchi que tiveram seu rendimento e se valorizaram: Dani Alves, Rakitic, Krychowiak, Júlio Baptista, Aleix Vidal, Kondogbia, Adruan, Bacca, Gameiro ou Coke são apenas alguns dos nomes mais recentes, famosos até por suas saídas milionárias.
Com o fim da ligação ao “seu” Sevilha, clube de sempre, Monchi se prepara para abraçar um novo desafio. Esta manhã, na coletiva de imprensa de despedida, a sala de imprensa encheu e o director desportivo surgiu acompanhado de José Castro, presidente do clube. “Isto não é um adeus, é um até à próxima”, referiu. Questionado acerca de quais os motivos que levaram à saída, revelou que é “uma decisão muito pessoa, em consonância com o desgaste provocado por 29 anos de trabalho a um nível de exigência muito grande”, complementando esta ideia com a confirmação de que em maio de 2016 já tinha apresentado a intenção de deixar o clube. Quanto à possibilidade de se tornar diretor desportivo da AS Roma, confirmou que a formação da capital italiana demonstrou “um grande interesse” e que “esteve em Londres [com dirigentes do clube italiano] para conhecer o projeto, mas não há nada assinado”.
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