Uma derrota nunca é um bom resultado, ainda mais quando ela resulta numa eliminação na semifinal do mais importante torneio do futebol mundial. Entretanto, muitas vezes a trajetória até aquele resultado ruim pode ser exaltada e trazer coisas positivas. Esse é o caso da Inglaterra, que perdeu por 1×2 para a Croácia na última quarta-feira (11) e deu adeus a chance de conquistar pela segunda vez a Copa do Mundo. É bem verdade que os ingleses obviamente queriam ter chegado a grande final o Mundial da Rússia para lutar pelo título contra a França, mas o trabalho feito pela equipe comandada por Gareth Southgate deve deixar a terra da Rainha muito orgulhosa e esperançosa com o futuro.
A nova geração inglesa, embora seja uma das mais jovens da Copa do Mundo de 2018 (média de 26 anos), conseguiu levar a Inglaterra a uma semifinal depois de 28 anos, o que nem mesmo a geração de David Beckham conseguiu em 2006, um feito e tanto para um país que nos últimos anos sempre chegava com pouco ânimo ao Mundial justamente pela sequência de campanhas ruins. Gareth Southgate, um técnico até então desconhecido, juntamente com Harry Kane, o jovem artilheiro inglês, e companhia certamente conseguiram trazer um brilho nos olhos dos ingleses e poderão fazer muito mais nas próximas Copas.
Jovem geração e treinador inexperiente
Ex-zagueiro do Crystal Palace, Gareth Southgate foi chamado para assumir a Inglaterra em setembro de 2016, após a demissão de Sam Allardyce (acusado de envolvimento em um esquema que burlava regras de transferências no país). Nome de pouquíssimo destaque entre os próprios ingleses, Southgate chegou carregando os bons trabalhos na categoria de base da seleção, mas com pouca experiência internacional. Assumindo a responsabilidade sem medo, iniciou um processo de renovação, trazendo nomes que já vinham se destacando na Premier League, como Dele Alli, Pickford e Harry Kane, que na época acabara de estourar no Tottenham como um grande goleador.
Durante as partidas, o treinador tomou decisões importantes que trouxeram os resultados precisos para a classificação nas Eliminatórias e depois na Copa do Mundo. Southgate manteve uma das principais características do futebol inglês, a bola aérea, mas também montou um time organizado, que na maioria dos jogos apresentou uma defesa consistente e que foi evoluindo ofensivamente ao longo do Mundial, contando principalmente com lançamentos precisos de Henderson e o faro de gol de Harry Kane. Porém, o que mais atrapalhou os ingleses pode ter sido justamente a juventude do elenco, que está aprendendo a lidar com a pressão de uma competição como a Copa do Mundo.
“Eu não poderia estar mais orgulhoso deste time. Os jogadores terminaram esgotados. Mas isso também faz parte da experiência. Eles também vão evoluir fisicamente. Croácia tomou boas decisões, com jogadores acostumados a este tipo de situação. Nossos jogadores vão ter mais experiência, vão passar por isso e vão crescer”, analisou Southgate.
Autoestima recuperada

Rainha Elizabeth II entregando a taça da Copa de 1966.
País onde o futebol surgiu oficialmente, a Inglaterra levantou a taça de campeã mundial apenas uma vez na sua história, em 1966, quando a Copa do Mundo foi realizada no país e a taça foi entregue pela na época jovem Rainha Elizabeth II. Desde então, os ingleses nunca mais conseguiram chegar a final e estiveram entre os quatro primeiros apenas no Mundial de 1990, com a geração comandada por Lineker. Por conta disso, os próprios torcedores cantavam de forma irônica a música “Football is coming home” (futebol está voltando para casa), criada há 20 anos. Desde 1990, a euforia dos torcedores só vinha diminuindo, pelo menos até 2018.
Neste ano, os ingleses voltaram a sorrir ao ver sua seleção jogando, principalmente na vitória por goleada contra o Panamá por 6×1 (a maior goleada em Copa do Mundo da história da Inglaterra) na primeira fase, e assim foram chegando com mais força na Rússia (nas semifinais do Mundial foi constatada a maior presença de ingleses em relação aos outras fases da competição). Mesmo com a eliminação, os torcedores presentes no estádio fizeram questão de aplaudir seus jogadores, carregando a esperança de que daqui quatro anos, no Mundial do Catar, a Inglaterra possa repetir a campanha de 2018 e voltar a lutar pelo título nacional.
“Um time inexperiente como o nosso tem que passar por coisas assim para ficar melhor. Até virar um time vencedor, precisa passar por barreiras como as que enfrentamos nas últimas semanas. É preciso reconhecer que seria uma ótima oportunidade para nós. Mas queremos ser um time que vai chegar em semifinais, finais, quartas-de-final. Provamos que é possível. Provamos para nós mesmos e para o nosso país. Agora temos um novo nível de expectativa. Eles ainda vão ficar mais experientes no nível internacional. Eu não poderia estar mais orgulhoso do que eles fizeram”, comentou o treinador inglês.
Boas Apostas!



