A poucos dias do início da Eurocopa 2020, a incerteza tomou conta da seleção espanhola. Sergio Busquets testou positivo à COVID-19 e deixou “La Roja” em estado de alerta. Jogadores e staff foram imediatamente isolados, foi organizada uma “bolha” de trabalho para jogadores não convocados treinarem à parte e teve que ser a seleção de sub-21 a defrontar a Lituânia em um encontro amistoso que, não obstante a situação, culminou com um triunfo espanhol. Diego Llorente foi o segundo atleta a testar positivo mas, ao que tudo indica, terá sido um “falso positivo”, dado que o jogador testou negativo pouco tempo depois e está já apto para disputar a competição. De resto, toda a comitiva testou negativo no controlo da UEFA e, ao que tudo indica, tudo não terá passado de um susto que ainda assim condicionou a preparação do time para essa Eurocopa. Debelada essa situação, a seleção espanhola, atravessando uma renovação, deverá estar preparada para disputar essa Eurocopa praticamente na máxima força, sendo que Luis Enrique pretende ainda contar com Sergio Busquets assim que o meia recuperar da infeção. Dado que Sérgio Ramos ficou fora dos relacionados, acresce a importância de Busquets no seio do grupo para efeitos de experiência e liderança, até porque essa Espanha tem muito jovem procurando seu espaço de afirmação no time principal. Os tempos de maior glória dos espanhóis terminaram após a Eurocopa de 2012 e agora Luis Enrique é o homem encarregue por renovar as fileiras e preparar o time para voltar a brilhar nas principais competições.

A fase de apuamento para essa Eurocopa 2020 correu de feição ao time espanhol que confirmou todo seu favoritismo no Grupo F, terminando líder e sem qualquer derrota sofrida. Os espanhóis venceram oito dos dez encontros que disputaram, empataram dois, marcaram 31 gols (melhor ataque da chave) e sofreram apenas cinco (melhor defesa da chave). Suécia, Noruega, Roménia, Ilhas Faroé e Malta foram as nações com as quais partilharam o grupo e, curiosamente, o sorteio da fase de grupos da Eurocopa 2020 ditou novo encontro com o time sueco, adversário diante do qual a Espanha empatou a um gol em Estocolmo, tendo no entanto vencido o encontro caseiro diante desse mesmo adversário por três a zero.

Foto: “Reuters”

Presente em dez fases finais da Eurocopa, a seleção espanhola é uma das mais bem sucedidas da história da prova, tendo faturado as edições de 1964, 2008 e 2012. De resto, “La Roja” se pode gabar de um feito: até os dias de hoje, nenhuma outra equipe conseguiu conquistar duas edições consecutivas da Eurocopa, em 2008 e 2012. Como se esse não fosse um registo suficientemente brilhante, pelo meio, ainda ergueu a Copa do Mundo em 2010, na África do Sul.

Apurada para as semis da Liga das Nações da UEFA pela primeira vez, competição na qual vai medir forças com a Itália em outubro desse ano, a Espanha chega nessa Eurocopa com cinco encontros disputados em 2021. Nos jogos de classificação para a Copa do Mundo 2022, disputados em março, a Espanha começou por empatar na receção à Grécia, de seguida foi arrancar um triunfo “a ferros” à Geórgia (1-3) e fechou esse triplo compromisso com um triunfo por três a um ante o Kosovo. Já nesse ciclo de preparação, a principal seleção só disputou o encontro com Portugal (0-0), antes de Busquets testar positivo, sendo que o encontro seguinte, com a Lituânia (4-0) já foi com a sub-21.

Luis Enrique, selecionador de Espanha

Luis Enrique é um técnico que dispensa apresentações e está ao leme da seleção espanhola desde 2018, após passagens por Barcelona (time B e principal), Roma e Celta de Vigo em sua carreira de técnico. Em março de 2019, na véspera de um encontro entre Espanha e Malta, Luis Enrique se viu obrigado a abandonar o comando técnico da “Sele” ao saber que sua filha estava gravemente doente. O selecionador se dedicou inteiramente a cuidar sua filha que, infelizmente, viria a falecer. Na ausência de Luis Enrique, Roberto Moreno orientou a equipe rumo a essa fase final da Eurocopa 2020, sabendo sempre que estava a prazo no cargo e que deixaria quando Enrique se sentisse preparado para reassumir, algo que aconteceu em novembro de 2019. A maior vitória desde o retorno de “Lucho” ao cargo aconteceu em novembro de 2020, com um triunfo histórico por seis bolas a zero diante da Alemanha, em encontro válido pela Liga das Nações.

Técnico credenciado por seu passado enquanto jogador e sobretudo pelo trabalho (e conquistas) desenvolvido no Barcelona, Luis Enrique tem em mãos a missão de rejuvenescer progressivamente essa seleção espanhola, missão que sai facilitada por conta do imenso talento que há pronto para ser lançado nessa seleção principal.

Obsessão pela posse

Enquanto o Barcelona de Pep Guardiola ia dominando pela posse, a Espanha de Vicente Del Bosque também o fazia, assim como as seleções de base da “La Roja”. Essa matriz de controlar pela posse continua a estar bem presente naquilo que é a identidade e a estratégia da seleção espanhola, mas a equipe é hoje mais vertical e incisiva em suas ações quando a bola chega no último terço, sobretudo pelos corredores. Além disso, Luis Enrique procura potenciar as qualidades de alguns dos seus meias em progressão, permitindo que carreguem o jogo para zonas de decisão. Ainda assim, essa Espanha continua a ser um time que gosta muito de ter bola e se sente bastante confortável em posse.

Eric García, Pedri, Fabián Ruiz, Olmo, Ouarzabal ou Ferrán Torres são alguns dos rostos da renovação dessa seleção da Espanha que, na ausência de Sérgio Ramos, conta com um “reforço” de peso: Aymeric Laporte. O zagueiro do Manchester City representou as camadas de base da França e até chegou a ser chamado por três vezes por Didier Deschamps, mas nunca foi a jogo, se tornando assim elegível para representar a seleção da Espanha.

Espanha na Eurocopa 2020

Apesar de ter visto seu ciclo de preparação afetado na sequência do teste positivo de Sergio Busquets, a seleção espanhola é claramente favorita à conquista desse Grupo E da Eurocopa. Embora tenhamos muita reticência em colocar essa Espanha como candidata à conquista do título, acreditamos que vencerá essa chave sem passar por grandes dores de cabeça. Polônia e Suécia são seleções capazes de dar algum trabalho para essa Espanha, mas os eleitos de Lusi Enrique deverão conseguir cumprir com seu objetivo e terminar na primeira posição. As odds das Casas de Apostas privilegiam esse cenário por larga margem.

Recordes da Espanha na Eurocopa

A Espanha faturou a conquista de três edições da Eurocopa (1964, 2008 e 2012) e segue sendo, até os dias de hoje, a única nação que ergueu o troféu em edições consecutivas. Esta será a 11ª presença da Espanha em uma fase final da Eurocopa, mas o time ibérico não entra como um dos principais favoritos ao triunfo segundo os principais prognósticos em apostas.

Cesc Fàbregas e Andrés Iniesta são os internacionais espanhóis com mais partidas em fases finais da Eurocopa (16 cada). Já o estatuto de artilheiro em Eurocopas pertence a Fernando Torres, com cinco gols. “El Niño” foi o autor do gol que permitiu conquistar a Eurocopa 2008, na final com a Alemanha. Álvaro Morata, relacionado por Luis Enrique, leva três gols em Eurocopas e procura alcançar o registo de Torres nessa edição da prova.

Boas Apostas!