Infelizmente, a seleção brasileira feminina ainda não conseguiu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, mesmo jogando no Brasil. Nossa seleção chegou como a favorita ao título, já que jogava em casa e tinha em seu elenco jogadoras de alto nível como Formiga, Cristiane e a maior estrela, a atacante Marta. Porém, como diz o ditado “favoritismo não ganha jogo” e foi exatamente isso que aconteceu com a seleção feminina brasileira.

Sem nenhuma medalha no Rio

Seleção feminina depois da classificação sobre a Austrália.

Seleção feminina depois da classificação sobre a Austrália.

Quem acompanhou desde o início o torneio de futebol feminino nas Olimpíadas, se animou ao ver a seleção brasileira vencer as duas primeiras partidas da fase de grupos com facilidade (3×0 contra China e 5×1 contra Suécia), e mesmo depois do empate em 0x0 com a África do Sul, onde o técnico do Brasil, Vadão, decidiu colocar o time reserva, começamos a acreditar que a tão sonhada medalha de ouro poderia ser alcançada. Porém, quando a competição foi para a fase de mata-mata, os jogos tornam-se totalmente diferentes e o favoritismo dela ou daquela seleção tem que ser deixado de lado. A mesma seleção brasileira que terminou a fase de grupos na primeira colocação do grupo A, enfrentou muitas dificuldades para passar pela terceira colocada do grupo F, Austrália, nas quartas de final. Em uma partida que podemos dizer que foi horrível, ambos os times erraram muitos passes e o Brasil, que estava sem Cristiane lesionada desde a segunda partida, não conseguiu criar jogadas ofensivas. A partida terminou em 0x0 e foi para os pênaltis, onde a frase “haja coração” de Galvão Bueno caberia muito bem. Começamos bem, marcando as quatro primeiras cobranças, assim como as australianas. Mas na quinta cobrança, a goleira adversária defendeu o pênalti da craque Marta e a pressão caiu sobre os ombros da goleira Bárbara, que com muita eficiência defendeu a penalidade de Gorry, mantendo acesa a esperança brasileira de passar de fase. Na sequência, nossa goleira Bárbara defendeu a oitava cobrança australiana e nos levou até as semifinais.

Na fase seguinte, o Brasil enfrentou a Suécia, que tinha levado de 5×1 do Brasil ainda na fase de grupos. Mas como no mata-mata não existe favoritismo, contra as suecas, mesmo tendo Cristiane jogando a prorrogação, o Brasil encontrou mais uma vez dificuldade em completar suas jogadas ofensivas, resultando em mais um empate em 0x0 e mais uma decisão levada para os pênaltis, onde acabamos perdendo duas cobranças e fomos eliminados, dando adeus a chance de conquistar a medalha de ouro em casa.

Porém, ainda existia uma chance de nossas atletas não saírem de mãos vazias dessa Olimpíada em casa, disputando o bronze contra as canadenses. Na partida contra o Canadá, a seleção brasileira enfrentou os mesmos problemas das outras partidas, não conseguindo ter muitas chances de gol e acabou vendo seu adversário marcar dois gols. No fim da partida, as brasileiras ainda conseguiram esboçar uma reação, marcando um gol aos 34’ do segundo tempo com Beatriz, mas acabaram perdendo por 1×2 e ficando sem nenhuma medalha em 2016.

Futuro da seleção feminina

Formiga não defenderá mais a seleção brasileira.

Formiga não defenderá mais a seleção brasileira.

Ao chegarmos ao fim do torneio de futebol feminino dos Jogos Olímpicos temos que fazer uma pergunta: Qual será o futuro de nossas jogadoras da seleção brasileira?

Ao olharmos o elenco convocado para esta Olimpíada, vemos que muitas jogadoras têm quase ou mais de 30 anos, assim como as três principais jogadoras da nossa seleção que já chegaram aos 30, Formiga com 38 anos, Cristiane com 31 e Marta com 30. Uma das principais figuras desta geração, a meio-campista Formiga esteve na sua sexta Olimpíada e logo depois da derrota para o Canadá anunciou sua aposentadoria da seleção brasileira, tendo na carreira três medalhas olímpicas, três medalhas de ouro em Pan-Americanos e uma de prata na mesma competição. “Tenho que agradecer todos os brasileiros por essa força, eles nos apoiaram o tempo todo. Não é fácil, não é o que a gente queria, todo mundo sabe”. Formiga ainda fez um apelo ao público para que continuasse apoiando o futebol feminino. “Não desistam de nós, porque nós não vamos desistir”. Esse apelo foi repetido por Marta, que deverá defender o Brasil por mais algum tempo. “Ganhamos vários fãs na Olimpíada, enchemos os estádios. Isso é o maior prêmio. Lógico que queríamos o pódio, mas ser aplaudida em todo lugar, isso que vamos levar. Agora peço ao povo brasileiro: Não deixe de apoiar o futebol feminino. Precisamos muito de vocês”.

A motivação da seleção brasileira feminina nessas Olimpíadas não estava apenas na chance de conquistar um título inédito em casa, mas também na possibilidade de que com a conquista da medalha de ouro, elas conseguissem mais atenção ao futebol feminino no Brasil, que é muito pouco apoiado no país do futebol, tanto pela entidade máxima do futebol brasileiro, CBF, quanto pelo público. Agora, depois de não conquistar nenhuma medalha em casa, fica a dúvida do que acontecerá tanto com essa seleção quanto com as futuras gerações do futebol feminino no Brasil. Esperamos que a CBF continue com a seleção feminina permanente, montada há apenas dois anos, e que invista na revelação de novas jogadoras, seguindo o exemplo do outros países como EUA e Alemanha, atual campeã olímpica feminina. Caso esse investimento aconteça, futuramente, quem sabe, possamos conquistar o título olímpico e tenhamos mais jogadoras de alto nível como Marta e Formiga no nosso futebol feminino.

Boas Apostas!