1930, 1958 e 2018. Se contam pelos dedos de uma mão as edições de uma Copa do Mundo sem a Itália, vencedora do troféu em quatro ocasiões. Que se questione o estilo, mas nunca a posição privilegiada que a seleção da Itália ocupa no panorama do futebol mundial. A Suécia “gelou” San Siro e provocou aquele que é, provavelmente, a imagem mais forte dessa etapa de apuramento para a Copa: as lágrimas do veterano “Gigi” Buffon na hora de se despedir da sua “Squadra Azzurra” que não falhava uma edição da Copa há 60 anos. A Copa de 2006, disputada na Alemanha, correspondia até agora à última ocasião em que o oito ex-campeões do mundo tinham falhado o acesso à fase final da competição.

Foto via "SkySports"

Foto via “SkySports”

Atentar na lista de eleitos da Itália ao longo dessa etapa de apuramento para a Copa do Mundo 2018 é perceber que o problema está longe de residir em uma crise de talentos. A Itália não atravessa um período de transição geracional nem uma crise de talento, mas poderá, isso sim, não estar a retirar o melhor proveito das qualidades que reúne. É difícil crer que, em um jogo em que precisa de anular a desvantagem trazida da partida de ida, a Itália se apresente em jogo sem jogadores de ataque com as qualidades de Andrea Belotti, El Shaarawy ou Fede Bernardeschi, todos lançados já para lá da hora de jogo. Se torna difícil imaginar que, com o resultado em 0-0 e a precisar de marcar um gol, Giampiero Ventura mande Daniele De Rossi aquecer ao invés de Lorenzo Insigne ou até Éder Martins, jogadores que nem sequer foram utilizados nessa segunda mão.

Em um estádio de San Siro totalmente lotado, a prestação italiana foi uma desilusão, pela dificuldade apresentada em saber o que fazer com a bola num jogo em que tinha que assumir desde o primeiro instante e tentar quebrar a organização defensiva da Suécia, naturalmente a jogar com as suas linhas recuadas e juntas e com o relógio correndo a seu favor. À medida que o tempo avançava, a seleção italiana demonstrava cada vez menos clarividência na decisão, o ímpeto individual se sobrepunha à tentativa de combinação coletiva e, claro, o desespero se apoderava cada vez mais do time transalpino. O aproximar do apito final fez com que o ataque à baliza guardada por Robin Olsen se intensificasse, porém, raras foram as vezes em que os dianteiros italianos remataram enquadrados e, quando chamado a intervir, o goleiro esteve sempre a bom nível. Nas bolas paradas, os zagueiros suecos dominaram por completo, anulando as chances contrárias na conversão de escanteios ou pontapés livres na imediação da área contrária.

Pela terceira vez em toda a sua história, a Itália assistirá a uma Copa do Mundo a partir da televisão, restando apurar as consequências desse falhanço. A primeira “cabeça a rolar” deverá ser a de Giampiero Ventura, técnico que deverá abandonar o cargo de seleccionaro italiano nos próximos dias.

Boas Apostas!