A maioria dos clubes brasileiros pode contar com um estádio fixo para mandar seus jogos, clubes os quais podemos dividir em duas classes: os clubes que são donos de seus estádios e os clubes que não são dono de seus estádios. Do lado dos clubes dono de seus estádios estão equipes como: Internacional que joga no Beira-Rio, Atlético-PR com a Arena Atlético Paranaense, Coritiba que é dono do Couto Pereira e São Paulo que é proprietário do Morumbi. Já do lado dos clubes que não são dono dos estádios temos Flamengo, Fluminense, em que ambos jogam no Maracanã, que pertence à prefeitura do Rio de Janeiro e alguns clubes nordestinos como Ceará e Fortaleza, que atuam nos estádios construídos para a Copa do Mundo. Outro clube que manda seus jogos em um estádio o qual não é dono é o Grêmio, que joga na Arena Grêmio desde 2012, abandonando o antigo Estádio Olímpico Monumental.

Interior da Arena Grêmio.

Interior da Arena Grêmio.

Ao contrário do Flamengo, por exemplo, que mesmo depois de anos não buscou construir um estádio próprio, o Grêmio vem tentando comprar a Arena Grêmio desde 2014, quando conseguiu um acordo com a construtora OAS (administradora da Arena) sobre a gestão da Arena. Porém, agora que a construtora é alvo de investigações da Lava Jato (operação contra corrupção da Polícia Federal), todos os acordos entre o Grêmio e a OAS estão paralisados, fazendo com que o clube pense na possibilidade de desistir da compra e continuar cumprindo o contrato estabelecido pela OAS, o qual determina que o clube use o estádio durante 20 anos, além do fato do Grêmio ter de pagar R$ 18 milhões por ano para a construtora e ter de ficar sem a renda das bilheterias.

O próprio presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr. confirmou no fim do mês de maio que o clube pode desistir das negociações ainda em 2016. “Hoje, por conta de tudo o que acontece, dos interesses envolvidos, da situação jurídica e também da recuperação judicial da OAS, é impossível fixar um prazo de definição. Eu acho que nós avançamos muito nas negociações a ponto de dizer o seguinte: estamos muito próximos de concluir a operação ou definitivamente encerrá-la, para não mais acontecer o negócio que estamos discutindo a bastante tempo. Desistir do negócio e esperar o prazo ser cumprido”. Ao falar sobre o prazo de uma decisão sobre a negociação, Romildo Bolzan afirmou que poderá acontecer em alguns meses ou pelo menos até o fim do ano. “As duas coisas acontecerão. Ou definitivamente encerraremos as negociações ou definitivamente assumiremos a gestão. Eu acho que essas posições podem acontecer numa situação rápida, não sei o que seria rápido, um mês, dois meses, três meses. Vamos contextualizar dentro do ano (de 2016).”

A Arena Grêmio

Arena Grêmio no dia da inauguração em dezembro de 2012.

Arena Grêmio no dia da inauguração em dezembro de 2012.

A Arena Grêmio é hoje o mais moderno complexo multiuso na América Latina, podendo receber eventos culturais, sociais e esportivos. A possibilidade de um novo estádio para o Grêmio foi idealizada já no início da década de 2000 e tornou-se real em meados de 2006, quando o clube formulou um plano diretor patrimonial para encaminhar o projeto de um estádio multiuso. No ano seguinte foi divulgada uma carta com os dois únicos interessados em construir o estádio gremista, eram elas as construtoras OAS e Odebrecht. A escolhida para realizar a construção foi a OAS, a qual teria proposto um consórcio com a TBZ (administradora portuguesa de estádios) com 65% do dinheiro do estádio destinado ao Grêmio e 35% para o consórcio durante 20 anos. Em 2008 foi assinado o contrato entre Grêmio e OAS, a qual teria como parceiros as empresas Veirano advogados, Banco Santander, Plarq Arquitetura e Gismarket. E em 2009 a construção do estádio finalmente pode acontecer em um terreno comprado por R$ 50 milhões. A inauguração da Arena foi realizada no dia 8 de dezembro de 2012 com uma partida amistosa entre Grêmio e Hamburgo, a qual acabou com a vitória gremista por 2×1.

Entre os benefícios e incentivos ganhados pelo Grêmio e pela OAS, estavam o recebimento de terrenos originalmente públicos em troca da construção, isenção fiscal, benefícios com leis de zoneamento e não precisar remodelar o impacto de vizinhança perto do estádio. Além disso, o clube repassou à construtora alguns terrenos que foram doados pela prefeitura de Porto Alegre no ano de 2010. Mesmo não tendo nada a ver com a Copa do Mundo de 2014, o Grêmio conseguiu a mesma isenção fiscal de R$ 30 milhões que o Estádio Beira-Rio do Internacional, estádio que foi usado na Copa de 2014, tendo como justificativa o fato da Arena Grêmio ser usada como campo de treinamento durante a Copa do Mundo.

Boas Apostas!