O povo voltou a sair às ruas do Cairo, capital egípcia, desta feita por bons motivos. A seleção local está de volta à fase final de uma Copa do Mundo, algo que não conseguia há quase três décadas. O país dos “Faraós” está em apoteose com a classificação.

EgiptoNoite histórica no Egito. A seleção local, treinada pelo argentino Hector Cuper, assegurou o regresso à fase de grupos de uma edição da Copa do Mundo, feito que não alcançava desde 1990, aquando da participação na prova realizada em Itália. Apesar do vasto historial egípcio no seu continente, esta será apenas a terceira presença da seleção em uma Copa do Mundo – para além de 1990, participou também em 1934.

Para assegurar presença na competição, a verdade é que essa seleção do Egito “sofreu a bom sofrer”. Precisando de vencer o Congo para se classificar depois de ter visto Uganda e Gana empatarem sem gols, o Egito passou para a frente do marcador aos 18 do segundo tempo, gol de Mohamed Salah, levando os milhares presentes nas arquibancadas ao delírio. O “balde de água fria” seria deitado por Bouka-Moutou a três minutos do final dos segundos 45, jogador que empatou a partida a favor do Congo, estabelecendo um resultado que não permitiria assegurar a classificação no imediato, adiando a decisão para a última rodada. No entanto, já nos acréscimos, o árbitro Bakary Gassama apontou para a marca de grande penalidade e recolocou a chance de apuramento nos pés de Mohamed Salah, jogador que está a realizar uma bela temporada no Liverpool. Ao quinto minuto da compensação, chamado a bater, a maior figura desta seleção africana não vacilou, bateu Barel Mouko e devolveu o Egito à fase final de uma Copa do Mundo após 28 anos de ausência. Minutos depois do golo, as imagens da festa egípcia percorreram o mundo, desde milhares nas ruas ajoelhas, ao vídeo de um idoso visivelmente comovido com o apuramento da sua seleção, sem esquecer a “pintura” com um adepto egípcio a fazer uma pirueta apoiado em suas muletas. Insano! Em um país em que o futebol significa tanto, o retorno à maior competição de seleções é uma das melhores notícias dos últimos anos.

Se Mohamed Salah é a principal referência dessa seleção, importa não esquecer o goleiro Essam-El Hadary. A classificação para essa Copa do Mundo 2018 dificilmente significará mais para alguém que para o goleiro que aos 44 anos continua a defender as cores nacionais, em um percurso iniciado em 1996 que já conta com 133 internacionalizações, em uma história que faz lembrar a de Gábor Király com a Hungria no Euro 2016. Caso integre a lista de eleitos para a Copa, El Hadary poderá se tornar no jogador mais velho a marcar presença em uma fase final da prova, superando Mondragón, da Colômbia.

Boas Apostas!