O ataque ao ônibus que transportava o elenco do Borussia Dortmund do hotel para o Westfalenstadion deixou sequelas na equipa. A lesão de Marc Bartra, operado ao pulso direito na sequência das três explosões junto da viatura, não foi o único dano resultante de um ataque que afetou todo o time. O director-executivo do Borussia Dortmund se juntou ao técnico Thomas Tuchel na crítica à UEFA por remarcar o jogo tão prontamente, afirmando que a diretoria do clube chegou a ponderar abandonar a competição.

OnibusPouco passava das 20:30h (hora local) de terça-feira quando os responsáveis do Borussia Dortmund anunciaram o adiamento do confronto com o AS Mónaco, encontro que tinha começo marcado para as 20:45h. O atentado que envolveu três explosões junto da viatura deixou todos os envolvidos em estado de choque, mesmo antes de se saber que se tinha tratado de um ataque premeditado. O elenco do Borussia Dortmund não reunia condições psicológicas para encarar o adversário francês na partida de ida das quartas de final da Liga dos Campeões. A UEFA aceitou o adiamento, a diretoria do AS Mónaco se demonstrou naturalmente sensível à questão, concordando com o reagendamento enquanto a sua torcida dava o exemplo nas arquibancadas ao entoar o nome do time da casa. A partida ficou marcada para as 18:45h (hora local) de quarta-feira, menos de 24 horas após o ataque.

Após a partida que culminou com uma vitória monegasca por três a dois, Thomas Tuchel criticou a UEFA por realizar a partida quando os seus jogadores ainda se encontravam em estado de choque, opinião compartilhada pelo meia Nuri Sahin, que também participou da partida. Este sábado, é Hans-Joachim Watzke, diretor-executivo do Borussia Dortmund, quem se junta à voz crítica relativa à opção tomada pela entidade que gere o futebol europeu, afirmando ainda que foi considerada a possibilidade de o Borussia Dortmund abandonar a atual edição da Liga dos Campeões: “Cheguei a pensar que nos devíamos retirar da Liga dos Campeões, mas depois pensei que isso seria uma vitória para os autores do atentado”.

Suspeito detido

A polícia alemã deteve um dos dois suspeitos de envolvimento no ataque. Segundo a AFP, os apartamentos de ambos foram revistados e o indivíduo apanhado é um cidadão de nacionalidade iraniana de 26 anos, suspeito de ter pertencido a um grupo militante do daesh antes de chegar à Alemanha, em janeiro de 2016. Em coletiva de imprensa, as forças policiais alemãs referiram que os três explosivos continham pedaços de metal e que foram encontradas três cartas junto do local das explosões, dirigindo uma ameaça concreta à pessoa da chanceler alemã Angela Merkel e a todos os “infiéis, atores, cantores, desportistas e totalidade de personalidades na Alemanha”. Os autores do ataque, provavelmente associados ao autoproclamado daesh, fizeram ainda duas exigências: A retirada dos Tornados (aviões de combate) da Síria e o encerramento da base aérea de Rammstein”. Ainda assim, os especialistas que analisaram as cartas consideram que a linguagem utilizada não está em conformidade com a habitual forma de comunicação dos jihadistas.

A partida de volta da eliminatória entre AS Mónaco e Borussia Dortmund está marcada para a próxima quarta-feira, 19 de abril, no estádio Louis II.

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