A desvalorização da lira turca tem afetado severamente o futebol otomano, habitual destino de jogadores em final de carreira que ambicionam assinar contratos vantajosos financeiramente. A situação tem seus reflexos em termos esportivos e o Fenerbahçe, um dos maiores emblemas do país, está a rubricar uma temporada bem abaixo das expetativas. Perante as dificuldades dos times tradicionais, há um novo emblema que comanda a Spor Toto Super League, se afirmando como um sério candidato ao título: falamos do Basaksehir, time que conta com apoio estatal.

Foto via "KamuPersoneli.net"

Foto via “KamuPersoneli.net”

Nunca se sagrou campeão Turquia, foi batizado Basaksehir apenas há cinco anos atrás e sua torcida está longe de representar o padrão turco, dado que está longe de lotar as arquibancadas e criar a atmosfera habitual em um estádio turco. No entanto, a equipe lidera o campeonato turco com cinco pontos de vantagem em relação ao Galatasaray após cinco rodadas e conta com figuras como Gael Clichy, Emre Belozoglu, Gokhan Inler, Elia, Demba Ba, Arda Turan, Adebayor e até com o brasileiro Robinho. O Basaksehir dá pelo nome de um bairro erguido em 1995 por Recep Tayyip Erdogan, atual presidente turco que, à época, liderava a prefeitura de Istambul e decidiu criar uma urbanização que serviria de modelo para a comunidade mais conservadora do país. Em 2014, 19 anos mais tarde, o nome do bairro seria passado para um time de futebol à data denominado Municipal de Istambul, emblema que havia ascendido ao escalão máximo com Goksel Gumusdag na liderança, colega de partido de Erdogan. A partir desse momento, Erdogan viu no Basaksehir mais um potencial elemento de propaganda e o clube foi adquirido por um lote de empresas próximas do governo, tudo isso em uma altura em que Erdogan se preparava para deixar o cargo de primeiro ministro e assumir o posto de presidente da República.

Dadas as circunstâncias, a questão que se coloca é a proveniência do dinheiro que permite que o Basaksehir subsista e consiga competir ao mais alto nível com o número de figuras no seu elenco que se conhece, até porque segundo o diário Cumhuriyet, o dinheiro proveniente da bilhética “Não serve sequer para pagar a eletricidade do estádio” – o número médio de espetadores por jogo é inferior a três mil torcedores. Ainda que nem todos os acordos de patrocínio sejam públicos, os mídia turco apontam os patrocínios da “Turkish Airlines”, do banco “Ziraat” e da panificadora Municipal de Istambul como importantes fontes de receita, sem esquecer o apoio prestado pelo Estado.

Nas últimas quatro temporadas, o Basaksehir ficou sempre nos quatro primeiros postos da tabela, sendo que em 2017/18, ficou mesmo no segundo posto, apenas superado pelo Galatasaray. O time volta ao campo no próximo domingo, frente ao Yeni Malatyaspor, fora de portas.

Boas apostas!